Com diferentes objetivos, Globo e EBC saem na frente, mas tecnologia ainda só permite um caráter experimental da nova era da TV aberta
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nao consigo abrir por ser materia exclusiva dos assinantes. Favor postar um resumo. Estou curioso do que as outras emissoras, fora a Globo, estão planejando.
DTV+: o que as emissoras brasileiras vão oferecer e quem já pode assistir à TV 3.0
Com diferentes objetivos, Globo e EBC saem na frente, mas tecnologia ainda só permite um caráter experimental da nova era da TV aberta
Por Danilo Casaletti
Em desenvolvimento desde 2019,
a TV 3.0, ou DTV+, começa a ganhar forma comercial nesta semana, ainda que em fase bastante experimental. A mudança de padrão de tecnologia vai elevar a
TV aberta a um patamar de alta qualidade ao oferecer aos telespectadores transmissão em 4K e, no futuro, em 8K, além de som imersivo com o sistema de áudio de última geração MPEG-H — atualmente restritos aos canais a cabo e às plataformas de streaming. O novo sistema trará também novas possibilidades de interação com o telespectador, publicidade segmentada e regionalizada, entre outras funcionalidades.
Isso será viável porque a DTV+, nome comercial derivado de
Digital Television Plus, vai conjugar a radiodifusão (a transmissão tradicional via ar) com a banda larga. Isso tornará a TV aberta mais parecida com uma plataforma de streaming — inclusive, os canais, em vez de números, poderão ser acessados por ícones na TV, em tablets e celulares. Em termos mundiais, os Estados Unidos e a Coreia do Sul estão à nossa frente, já com operações comerciais.
Duas emissoras se colocam à frente na largada para a DTV+. A
TV Globo estreia nesta terça-feira, 9, uma campanha protagonizada por Sabrina Sato e Nicolas Prattes que fala em ampliação de “engajamento” e “um novo jeito de se relacionar” com a TV aberta. A
EBC (Empresa Brasil de Comunicação), que abarca a TV Brasil, de caráter público, acelera os testes, destaca o caráter de serviço que irá oferecer e se posiciona como uma das instituições que, junto com o Ministério das Comunicações, liderou o debate da implementação da nova tecnologia no País.
O
Estadão entrou em contato com as principais canais de televisão do País para questionar com quais planos e prazos elas trabalham para implementar a DTV+ em sua programação. A TV Cultura explica que está em fase de “construção de um plano de transição para a TV 3.0, envolvendo todas as áreas da emissora, com a finalidade de identificar as adequações necessárias”. SBT, Record TV e Band TV não responderam.
A Globo, em vantagem nessa corrida, lançou suas estações técnico-experimentais em abril de 2025, quando completou 60 anos no ar. O veículo escolheu a Copa do Mundo da Fifa, que se inicia no dia 11, para comunicar ao seu público que, em teoria, já transmite na DTV+ em três praças habilitadas para a ferramenta: São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília (Plano Piloto). Até 2030, o plano é estar nas 15 regiões metropolitanas que fazem parte do PNT (Painel Nacional de Televisão).
Segundo Leonora Bardini, diretora executiva da TV Globo, para este primeiro momento, a ideia é reforçar para o telespectador as camadas de interatividade que ela já utilizava na TV 2.5 (veja mais abaixo a linha evolutiva da televisão no Brasil), em televisores fabricados a partir de 2020 e 2021.
“Estamos em uma Copa com muitas seleções [são 48, 16 a mais do que no torneio anterior]. Teremos um aprofundamento estatístico dos jogos e enquetes. Vamos convidar o público a participar mais”, diz a executiva. Outra possibilidade atrativa é ter dois vídeos rodando simultaneamente na tela, o dual view, com a imagem ao vivo do jogo e um replay pré-selecionado pela emissora de alguma jogada ou de um gol.
A Globo não disponibilizará o Cloud DVR, ou seja, a função de voltar ou pausar uma transmissão ao vivo, como é possível no streaming (inclusive no Globoplay, plataforma por assinatura da Globo). “Para a TV aberta, acreditamos na experiência ao vivo. É um ativo muito forte”, justifica Leonora, citando a morte do personagem Arthur Brandão, interpretado por Antônio Fagundes na novela
Quem Ama Cuida, exibida recentemente com bastante repercussão entre o público.
Nada será impositivo, de acordo com o canal. “Não queremos interromper ou criar ruído para aquelas pessoas que desejam assistir da maneira que sempre assistiram à TV aberta. Mas, para quem quiser uma camada a mais, teremos, com navegação rápida via controle remoto”, explica Leonora.
Além do esporte, os realities e o jornalismo também ganharão recursos — a Globo ainda não revela quais são seus planos para as Eleições. A teledramaturgia será um território a ser explorado com parcimônia em relação à forma de exibir seu conteúdo, de acordo com a emissora. A Globo fez pesquisas em oito regiões brasileiras para entender o que o telespectador deseja. O resultado é óbvio: comprar os itens de cena, como o vestido de uma personagem ou um vaso do cenário. Essa funcionalidade, na verdade, já é possível com o uso de inteligência artificial - basta apontar o celular para algum objeto que aparece na TV e pesquisar.
Carolina Duca, diretora de infraestrutura e telecom da Globo, diz que a emissora trabalha para que o sistema da TV aberta evolua para ir ao encontro do que as áreas de programação, conteúdo e negócios entenderem que fará sentido para o usuário. “Não pensamos na tecnologia pela tecnologia. É o que ela pode habilitar de novos negócios para gerar receitas adicionais que permitam a implementação do projeto”, diz.
Antena digital interna e migração para a TV 3.0
Há cerca de 20 dias, a Globo tem feito uma campanha ostensiva em seus telejornais e canais digitais para que os telespectadores adquiram uma
antena digital interna, que custa entre R$ 20 e R$ 40. O aparelho permite assistir à TV aberta com sinal de alta qualidade e sem atraso. O apelo da empresa é o torcedor não ter que ouvir, durante a Copa, seu vizinho — eventualmente com uma TV por assinatura ou plataforma de streaming — gritar gol antes dele.
É verdade. Mas também é fato que se trata de uma espécie de “movimento casado”, como define Leonora Bardini, para a futura migração para a 3.0. “Queremos habilitar mais gente para participar dessa primeira fase da DTV+”, diz. A Globo não revela quanto vai investir em seu projeto da DTV+.
Plataforma Comum, da EBC, chega a São Paulo e Brasília
A EBC, Empresa Brasil de Comunicação — que tem em seu guarda-chuva os veículos públicos de comunicação TV Brasil, Agência Brasil, Rádio MEC e Rádio Nacional —, inaugurou no mês de abril sua estação de testes da TV 3.0, em Brasília. A iniciativa é uma parceria com o Ministério das Comunicações e com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
A TV Brasil, por sua característica, não pode explorar os recursos comerciais que a nova tecnologia oferece, ou seja, não poderá ofertar produtos ao seu público ou vender a blusa que Cissa Guimarães, apresentadora do
Sem Censura, sucesso nas redes sociais, estará usando no programa.
Na EBC, a TV 3.0 possibilitará, então, com destaque na interface da DTV+, a implementação da chamada
Plataforma Comum, um aplicativo que reunirá diversos serviços do Governo Federal, como o portal Gov.br, SUS Digital e o recém-lançado Tela Brasil, ao lado também de outros canais federais, como a TV Câmara e a TV Senado. A partir desta semana, a Plataforma Comum estará disponível em São Paulo e Brasília, em uma versão experimental. Os alertas de fenômenos climáticos, como chuvas ou ventos fortes, também vão migrar para a TV, com possibilidade maior de regionalização.
Para
Antonia Pellegrino, diretora-presidente da EBC, no campo público essa será a maior inovação que a DTV+ vai oferecer. “Quase todo brasileiro acessa o Gov.br. Entrar nele e, a partir dali, também entrar na TV Brasil ou o Tela Brasil é muito poderoso”, diz. Antonia vai além da funcionalidade: “Cultura e comunicação pública são direitos da população. A 3.0 coloca essa dimensão de uma forma mais explícita, mais nítida, na mesma prateleira”.
Dentro dos limites de sua função, a TV Brasil também terá atrativos. O telespectador poderá escolher, por exemplo, de qual câmera assistir ao
Sem Censura ou, então, selecionar apenas o som da torcida de uma transmissão esportiva — o canal atualmente transmite jogos de campeonatos estaduais.
De acordo com Antonia, a fase de desenvolvimento da Plataforma Comum custou R$ 25 milhões. Porém, haverá necessidade de mais recursos no futuro, inclusive para uma rede de entrega de conteúdo (CDN) própria e soberania de dados. “É algo extremamente contemporâneo. Articularemos essa questão por meio de um consórcio com o governo federal”, afirma.
Em fevereiro deste ano, o governo federal, via Ministério das Comunicações, deu início às tratativas com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco Mundial para o financiamento de até US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,7 bilhões) para viabilizar a transição para a DTV+ no Brasil. O
Estadão questionou o ministério sobre o avanço da proposta, mas não obteve retorno.
(continua)