iaponygalvao
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Com a definição do padrão DTV+ para a TV 3.0 terrestre, o setor de radiodifusão volta suas atenções para um desafio de dimensões continentais: como estender os benefícios da nova tecnologia, como interatividade e hipersegmentação, aos milhões de domicílios brasileiros que dependem exclusivamente da recepção via satélite (TVRO). A questão, central para o futuro da televisão aberta no chamado “Brasil Profundo”, foi tema de debates na SET Expo 2025, onde foi apresentada uma proposta de evolução gradual para o parque de 13,618 milhões (número que ainda varia de acordo com quem o apresenta) de antenas parabólicas já instaladas no país.
A solução não passa por uma substituição abrupta, mas por uma transição estratégica que aproveite a base existente para introduzir novas funcionalidades, equilibrando o avanço tecnológico com a realidade econômica das emissoras e dos consumidores.
Plataforma consolidada
A TVRO já é uma plataforma de distribuição de conteúdo consolidada e com alta capilaridade. Segundo dados apresentados por Guilherme Saraiva, diretor de vendas Mídia e Satélite da Claro Empresas, o sistema alcança uma média de 19% de penetração nos lares brasileiros. A presença é ainda mais expressiva em determinadas regiões, chegando a 32% dos domicílios com TV no Nordeste e 22% no Norte.
O crescimento do sistema foi impulsionado tanto por vendas no varejo quanto pelo programa Siga Antenado, criado para mitigar os efeitos da ativação do 5G na antiga Banda C. Dos 13,618 milhões de receptores ativos, 8,621 milhões foram adquiridos por iniciativa dos próprios consumidores no varejo, enquanto 4,996 milhões foram instalados pelo programa do governo. A região Nordeste lidera o número de ativações totais, com 6,085 milhões de receptores, seguida pelo Sudeste, com 3,878 milhões.
Atualmente, o serviço oferece um line-up com 74 canais de TV e mais de 25 estações de rádio, incluindo o recém-lançado canal X Sports, o primeiro com programação esportiva 24 horas na plataforma. Cinco grandes redes nacionais — Globo, Band, SBT, Record e Amazon Sat — já transmitem seus sinais de forma regionalizada.
Evolução
Apesar da base consolidada, a migração para a TV 3.0 no satélite apresenta desafios técnicos e econômicos distintos da transição terrestre. Ana Eliza Faria e Silva, gerente sênior do Regulatório de Tecnologia da Globo, explicou que o Fórum Brasileiro de TV Digital está construindo uma visão para integrar a experiência do DTV+ no satélite, mantendo atributos como a gratuidade e a facilidade de acesso.
O principal obstáculo, segundo ela, é o custo. Na TV terrestre, novas funcionalidades foram incorporadas à estrutura de transmissão existente sem grandes impactos recorrentes. No satélite, a transmissão de um novo sinal com as especificações completas da TV 3.0 — como vídeo em 4K e áudio imersivo — exigiria a duplicação da capacidade contratada, o que, na prática, “dobra os custos” para as emissoras.
“A visão futura que integre também a melhoria de qualidade, de resolução do áudio e do vídeo, vai requerer duplicar sinais”, afirmou Ana Eliza. Por isso, o caminho a ser trilhado pela indústria deve ser gradual. O Fórum irá propor uma visão futura completa, mas a escolha de cada provedor de conteúdo sobre como e quando oferecer essa proposta de valor dependerá de suas próprias estratégias.
TVRO 2.5
Diante desse cenário, a proposta de uma fase de transição ganha força. Guilherme Saraiva apresentou o conceito da TVRO 2.5, um passo intermediário previsto para 2026 que visa agregar valor à plataforma atual sem a necessidade de uma nova transmissão via satélite. A ideia é aproveitar os novos receptores híbridos, equipados com sistema Android ou Linux e conexão à internet, que começam a chegar ao mercado.
Esses aparelhos, conectados à banda larga do domicílio, poderiam executar o aplicativo DTV Play 2.5, que habilitaria uma série de funcionalidades da TV 3.0 sobre o sinal HD já transmitido (codificado em H.264 ou H.265). “A proposta é tentar agregar essa camada aqui no produto que a gente já tem, aproveitando os receptores híbridos”, disse Saraiva.
Com essa abordagem, seria possível entregar seis das onze funcionalidades previstas na “mandala” da TV 3.0, com foco naquelas que monetizam ou geram engajamento. Entre elas estão a medição de audiência em tempo real, a integração broadcast-broadband, a interatividade e, principalmente, a inserção dinâmica de comerciais e a publicidade integrada/t-commerce.
A questão do custo para o consumidor também é central. Atualmente, um kit completo do receptor “zapper” (básico) é vendido no varejo por valores em torno de R$ 250. Já os receptores híbridos estão na faixa de R$ 450. Para que a TVRO 2.5 ganhe escala, será necessário um movimento da indústria para reduzir o preço dos novos equipamentos.
Hipersegmentação
Um dos principais atrativos do DTV+ é a hipersegmentação geográfica, que permite a entrega de conteúdo e publicidade direcionados para mercados cada vez menores. Na TVRO, essa capacidade já está sendo explorada e validada, servindo como um precursor para os modelos de negócio da TV 3.0.
Um caso emblemático é o da Rede Amazônica em Ariquemes/RO. A afiliada da Globo na cidade foi lançada com uma estrutura enxuta: sem endereço físico, com apenas dois profissionais — um jornalista e um vendedor. Todo o trabalho de playout e produção jornalística é centralizado em Manaus. “É um novo modelo de fazer jornalismo, fazer televisão e chegar aí nos rincões do Brasil profundo”, comentou Saraiva.
Outro exemplo é o da Globo Bahia, que dividiu o estado em seis microrregiões de conteúdo, permitindo uma comunicação mais próxima com diferentes partes do território baiano. Essa granularidade, que já expandiu o mapa de regionalização das grandes redes de 80 para 184 regiões, habilita novos anunciantes. O caso da TV Alterosa de Varginha/MG, que exibe anúncios da “Ceará dos Colchões”, uma loja com quatro unidades na região, ilustra como a hipersegmentação abre espaço para pequenos e médios anunciantes locais, que antes não tinham acesso à publicidade na TV aberta.
Mercado potencial
O mercado potencial para a TVRO é vasto. A distribuição terrestre do DTV+ deve começar pelas cidades com mais de 500 mil habitantes. O público de municípios menores, que poderia levar anos para receber a nova tecnologia via antena terrestre, é o alvo natural do satélite.
Dados apresentados por Saraiva indicam que o “mercado provável” da TVRO está nos municípios com até 50 mil habitantes, somando 24,1 milhões de lares com TV. No entanto, o “mercado possível”, incluindo cidades de até 100 mil habitantes, pode chegar a 35 milhões de domicílios.
Para as emissoras, a exploração comercial desse universo representa uma oportunidade de receita inexplorada. Saraiva fez um convite às redes para avaliarem o potencial de monetização em estados onde a regionalização ainda é incipiente. No Maranhão, por exemplo, existem quase 750 mil receptores de TVRO, mas apenas a Globo possui um sinal regionalizado para a capital, São Luís. “Será que não tem um potencial realmente que não está sendo explorado?”, questionou.
telaviva.com.br
Uma observação: A InterTV Costa Branca, em Caicó, possui um modelo bem semelhante ao citado pela Rede Amazônica em Ariquemes/RO, com a diferença que, além de não gerar comerciais locais (retransmite a geradora da InterTV Costa Branca, em Mossoró), ainda utiliza, quando necessário, uma base física, numa parceria com a Rádio Caicó, uma vez que Cardoso Silva também trabalha lá.
A solução não passa por uma substituição abrupta, mas por uma transição estratégica que aproveite a base existente para introduzir novas funcionalidades, equilibrando o avanço tecnológico com a realidade econômica das emissoras e dos consumidores.
Plataforma consolidada
A TVRO já é uma plataforma de distribuição de conteúdo consolidada e com alta capilaridade. Segundo dados apresentados por Guilherme Saraiva, diretor de vendas Mídia e Satélite da Claro Empresas, o sistema alcança uma média de 19% de penetração nos lares brasileiros. A presença é ainda mais expressiva em determinadas regiões, chegando a 32% dos domicílios com TV no Nordeste e 22% no Norte.
O crescimento do sistema foi impulsionado tanto por vendas no varejo quanto pelo programa Siga Antenado, criado para mitigar os efeitos da ativação do 5G na antiga Banda C. Dos 13,618 milhões de receptores ativos, 8,621 milhões foram adquiridos por iniciativa dos próprios consumidores no varejo, enquanto 4,996 milhões foram instalados pelo programa do governo. A região Nordeste lidera o número de ativações totais, com 6,085 milhões de receptores, seguida pelo Sudeste, com 3,878 milhões.
Atualmente, o serviço oferece um line-up com 74 canais de TV e mais de 25 estações de rádio, incluindo o recém-lançado canal X Sports, o primeiro com programação esportiva 24 horas na plataforma. Cinco grandes redes nacionais — Globo, Band, SBT, Record e Amazon Sat — já transmitem seus sinais de forma regionalizada.
Evolução
Apesar da base consolidada, a migração para a TV 3.0 no satélite apresenta desafios técnicos e econômicos distintos da transição terrestre. Ana Eliza Faria e Silva, gerente sênior do Regulatório de Tecnologia da Globo, explicou que o Fórum Brasileiro de TV Digital está construindo uma visão para integrar a experiência do DTV+ no satélite, mantendo atributos como a gratuidade e a facilidade de acesso.
O principal obstáculo, segundo ela, é o custo. Na TV terrestre, novas funcionalidades foram incorporadas à estrutura de transmissão existente sem grandes impactos recorrentes. No satélite, a transmissão de um novo sinal com as especificações completas da TV 3.0 — como vídeo em 4K e áudio imersivo — exigiria a duplicação da capacidade contratada, o que, na prática, “dobra os custos” para as emissoras.
“A visão futura que integre também a melhoria de qualidade, de resolução do áudio e do vídeo, vai requerer duplicar sinais”, afirmou Ana Eliza. Por isso, o caminho a ser trilhado pela indústria deve ser gradual. O Fórum irá propor uma visão futura completa, mas a escolha de cada provedor de conteúdo sobre como e quando oferecer essa proposta de valor dependerá de suas próprias estratégias.
TVRO 2.5
Diante desse cenário, a proposta de uma fase de transição ganha força. Guilherme Saraiva apresentou o conceito da TVRO 2.5, um passo intermediário previsto para 2026 que visa agregar valor à plataforma atual sem a necessidade de uma nova transmissão via satélite. A ideia é aproveitar os novos receptores híbridos, equipados com sistema Android ou Linux e conexão à internet, que começam a chegar ao mercado.
Esses aparelhos, conectados à banda larga do domicílio, poderiam executar o aplicativo DTV Play 2.5, que habilitaria uma série de funcionalidades da TV 3.0 sobre o sinal HD já transmitido (codificado em H.264 ou H.265). “A proposta é tentar agregar essa camada aqui no produto que a gente já tem, aproveitando os receptores híbridos”, disse Saraiva.
Com essa abordagem, seria possível entregar seis das onze funcionalidades previstas na “mandala” da TV 3.0, com foco naquelas que monetizam ou geram engajamento. Entre elas estão a medição de audiência em tempo real, a integração broadcast-broadband, a interatividade e, principalmente, a inserção dinâmica de comerciais e a publicidade integrada/t-commerce.
A questão do custo para o consumidor também é central. Atualmente, um kit completo do receptor “zapper” (básico) é vendido no varejo por valores em torno de R$ 250. Já os receptores híbridos estão na faixa de R$ 450. Para que a TVRO 2.5 ganhe escala, será necessário um movimento da indústria para reduzir o preço dos novos equipamentos.
Hipersegmentação
Um dos principais atrativos do DTV+ é a hipersegmentação geográfica, que permite a entrega de conteúdo e publicidade direcionados para mercados cada vez menores. Na TVRO, essa capacidade já está sendo explorada e validada, servindo como um precursor para os modelos de negócio da TV 3.0.
Um caso emblemático é o da Rede Amazônica em Ariquemes/RO. A afiliada da Globo na cidade foi lançada com uma estrutura enxuta: sem endereço físico, com apenas dois profissionais — um jornalista e um vendedor. Todo o trabalho de playout e produção jornalística é centralizado em Manaus. “É um novo modelo de fazer jornalismo, fazer televisão e chegar aí nos rincões do Brasil profundo”, comentou Saraiva.
Outro exemplo é o da Globo Bahia, que dividiu o estado em seis microrregiões de conteúdo, permitindo uma comunicação mais próxima com diferentes partes do território baiano. Essa granularidade, que já expandiu o mapa de regionalização das grandes redes de 80 para 184 regiões, habilita novos anunciantes. O caso da TV Alterosa de Varginha/MG, que exibe anúncios da “Ceará dos Colchões”, uma loja com quatro unidades na região, ilustra como a hipersegmentação abre espaço para pequenos e médios anunciantes locais, que antes não tinham acesso à publicidade na TV aberta.
Mercado potencial
O mercado potencial para a TVRO é vasto. A distribuição terrestre do DTV+ deve começar pelas cidades com mais de 500 mil habitantes. O público de municípios menores, que poderia levar anos para receber a nova tecnologia via antena terrestre, é o alvo natural do satélite.
Dados apresentados por Saraiva indicam que o “mercado provável” da TVRO está nos municípios com até 50 mil habitantes, somando 24,1 milhões de lares com TV. No entanto, o “mercado possível”, incluindo cidades de até 100 mil habitantes, pode chegar a 35 milhões de domicílios.
Para as emissoras, a exploração comercial desse universo representa uma oportunidade de receita inexplorada. Saraiva fez um convite às redes para avaliarem o potencial de monetização em estados onde a regionalização ainda é incipiente. No Maranhão, por exemplo, existem quase 750 mil receptores de TVRO, mas apenas a Globo possui um sinal regionalizado para a capital, São Luís. “Será que não tem um potencial realmente que não está sendo explorado?”, questionou.
Com padrão DTV+ definido, desafio é levar TV 3.0 ao "Brasil Profundo" via satélite - TELA VIVA News
Proposta de transição, a TVRO 2.5, visa integrar parque de 13,6 milhões de antenas à nova tecnologia, equilibrando inovação e viabilidade econômica para um mercado potencial de 35 milhões de lares #telaviva #telavivanews
Uma observação: A InterTV Costa Branca, em Caicó, possui um modelo bem semelhante ao citado pela Rede Amazônica em Ariquemes/RO, com a diferença que, além de não gerar comerciais locais (retransmite a geradora da InterTV Costa Branca, em Mossoró), ainda utiliza, quando necessário, uma base física, numa parceria com a Rádio Caicó, uma vez que Cardoso Silva também trabalha lá.