'Maior desafio é compor rede com capilaridade nacional', diz CEO da CNN Brasil sobre ida à TV aberta
- João Vítor Xavier critica modelo de medição de audiência do Ibope e diz que 'ou mudam, ou vão acabar'
- Executivo reconhece que emissora passou por curva de aprendizado para alcançar equilíbrio ideológico
Flavia Lima
São PauloA CNN Brasil negocia com emissoras locais a formação de uma rede nacional de televisão aberta, com expectativa de estrear no início de 2027, diz João Vítor Xavier, CEO da emissora.
O próximo passo, segundo ele, está nos acordos que consolidariam o canal como uma rede nacional."Temos hoje convites e possibilidades de várias parcerias nos mais diferentes formatos em muitos cantos do Brasil.
Para isso dar certo, a gente tem que compor o que a gente chama de uma rede nacional robusta. Mais do que a virada da chave da tecnologia, o próximo objetivo é a virada da chave dos acordos comerciais e jurídicos para isso.''
Em entrevista ao programa C-Level, Xavier afirma que, do ponto de vista de programação, a grade da emissora está praticamente concluída, o que permitiria a entrada na TV aberta em cerca de 30 dias.
Além do conteúdo da própria CNN, a emissora conta com a programação da CNN Money e com o material produzido por seus canais digitais."Mas nosso maior desafio hoje é a composição de uma rede que nos permita ter a capilaridade nacional."Seis anos após a fundação da CNN Brasil, Xavier avalia a possibilidade de ampliar a audiência em um cenário marcado pela polarização, sem recorrer a isso.
Segundo ele, o período de maior crescimento da emissora coincidiu com o momento em que o canal passou a demonstrar maior equilíbrio ideológico. Esse processo, reconhece, foi consolidado mais recentemente.
"A CNN faz esse reconhecimento público. O dono da CNN, o Rubens [Menin], e que é presidente do nosso conselho, faz esse reconhecimento público", diz.
Por isso, para ele, não faz sentido a comparação com a Folha ou com o Grupo Globo, veículos com mais de 100 anos. "A CNN precisava passar por uma curva de aprendizado, de erros, de acertos, de experimentar, e que bom que passou para que ela pudesse chegar num ponto que hoje eu considero de uma maturidade crescente para continuar tentando acertar mais do que errar", diz.
Diante das mudanças anunciadas pela principal concorrente, a GloboNews, Xavier diz que a CNN se prepara para a disputa de maneira respeitosa.
Ao ser confrontado com o ranking de audiência da televisão por assinatura, porém, reserva críticas ao modelo de medição do setor. Para João Vítor Xavier, o formato está defasado e favorece os veículos que não atuam de forma relevante no ambiente digital.
O executivo encaminhou à Folha dados que, segundo ele, mostram a CNN à frente da GloboNews em métrica de alcance (número de pessoas que passaram pelo canal).
Entre janeiro e junho, a emissora alcançou 26,79 milhões de indivíduos únicos, ante 25,61 milhões da concorrente."Nós entendemos que hoje a CNN é o canal de ‘news’ [notícias] mais visto do Brasil."
Segundo ele, a medição do Ibope considera apenas as cerca de 7 milhões de residências brasileiras com TV por assinatura, deixando de fora plataformas relevantes, como smart TVs e YouTube.
"A gente vive hoje um problema muito grave no Brasil, a maneira que os institutos mensuram audiência. [...] ou eles mudam, ou eles vão acabar. Se eles não se modernizarem, eles vão acabar.
"Xavier elogia a CazéTV e afirma que Casimiro Miguel faz hoje no streaming de futebol o que a CNN realizou nos últimos cinco anos no streaming de notícias.
Ao comentar a movimentação de jornalistas entre empresas concorrentes, Xavier diz que a competição fortalece o mercado e evidencia o reaquecimento do jornalismo.
Sobre o futuro dos canais noticiosos, Xavier diz que a televisão vai se parecer cada vez mais com o rádio: "Passaram a vida inteira falando que o rádio ia acabar. A televisão vai ser cada vez mais parecida com o rádio."
João Vítor Xavier critica modelo de medição de audiência do Ibope e diz que 'ou mudam, ou vão acabar'
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