Sim, todo mundo viu a Copa em 2014 HD porque, aqui no Brasil, apenas 1 jogo da Copa 2014 foi transmitido em 4K, em um teste isolado da operadora NET Claro em parceria com o SporTV. Era um jogo das oitavas de final (Colômbia e Uruguai). Para assistir, tinha que ter decoder 4K da NET (raro na epoca) e assinar o plano mais caro da operadora.
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Rs! Você só sublinhou o ponto que eu mesmo já tinha feito: embora as marcas gastaram horrores com divulgação do formato, todos vimos em HD... mas não foi por culpa de Globo, ou de operadoras a cabo, foi porque o formato - ao contrário da afirmação viralatista -
não estava pronto para ser usado no mundo todo. Se alguém deu com os burros n'água, foram as marcas, e não as redes, emissoras, e programadoras. Essas estavam cientes da limitação da parafernália que tinham nas mãos.
Vamos de fatos históricos - para contexto e para acabar com qualquer sentimento"anti-Brasil":
Em suma, nenhum país estava totalmente "preparado" para uma transmissão 4K direta para sua população durante a Copa de 2014. Embora a Copa em questão tenha sido um marco histórico porque foi a primeira vez que as partidas foram
capturadas em resolução 4K, a tecnologia estava estritamente em sua infância. Não havia canais de televisão 4K, o streaming de 4K para consumidores não tinha a infraestrutura de largura de banda necessária e muito poucas pessoas possuíam uma TV 4K (vide meu comentário sobre o marketing equivocado). Em vez disso, a iniciativa 4K foi tratada como
um teste massivo em circuito fechado ao vivo e
uma prova de conceito.
Apenas um pequeno número de países participou em testes experimentais com audiência limitada: Brasil, Japão, Portugal e Reino Unido.
Fato interessante: a NHK, emissora pública do Japão, na verdade ignorou o 4K em prol de testar o
8K Super Hi-Vision. Em parceria com a FIFA, a NHK filmou algumas partidas em 8K e converteu as imagens para 4K para transmiti-las ao vivo em eventos de exibição pública (como tem que ser, já que a NHK é custeada com verbas públicas) em lugares específicos em Tóquio e Yokohama. O Japão aproveitou o evento para preparar a infraestrutura necessária para os Jogos Olímpicos de Tóquio de 2020.
E daí vamos pra explicação final de porque que não foi culpa da Globo ou do Brasil:
por que ninguém estava preparado?
Por
2 razões basicamente:
- Padrões de compressão: Em 2014, o padrão de compressão HEVC (H.265), que é o que viabiliza o streaming de arquivos 4K pesados, era uma novidade e ainda não contava com otimização de hardware em eletrônicos de varejo.
- Ausência de HDMI 2.0: A maioria das primeiras TVs 4K disponíveis no mercado em 2014 possuía apenas portas HDMI 1.4, o que significava que elas só conseguiam exibir imagens em 4K a uma taxa instável de 30 quadros por segundo (algo totalmente inadequado para uma partida de futebol ao vivo com muita movimentação - que exige 60 fps).
Foi somente na Copa de 2018, na Rússia, que emissoras de todo o mundo finalmente estavam aptas a lançarem transmissões em 4K HDR reais e em larga escala, diretamente para as casas dos telespectadores. E mesmo assim, o mundo estava apenas
tecnologicamente preparado para produzir tais transmissões, mas dependia das pessoas terem a estrutura em casa para ver, pois ainda era um período de transição. O SporTV por exemplo abriu um canal dedicado pra 4K, igual acontece ainda no campeonato deste ano... mas adivinha só? Os EUA, o Reino Unido, a Itália, a França, e a própria Rússia, fizeram exatamente a mesma coisa, ou ofereceram coisas semelhantes (como apenas alguns jogos com o sinal). A grande verdade é que emissoras, ao redor do mundo, ainda tratavam a situação como um ato de equilíbrio arriscado: tiveram que recorrer a limitação de streaming, e usar um esquema de produto a la carte, pois a infraestrutura (sempre a bendita infraestrutura! rs!) de internet de 2018, acredite se quiser, ainda
não estava totalmente pronta para suportar centenas de milhões de pessoas transmitindo conteúdo 4K de alta taxa de bits exatamente ao mesmo tempo. E tiveram que recorrer à internet pois muitas casas tinham ainda decodificadores antigos, e se eles quisessem jogar um sinal 4K nesses decodificadores, teriam que fechar uns 5 canais na banda delas para empurrar 1 canal de 4K. Tudo é matemática no fim.
Nada como trazer os fatos ao invés de achismos "para a mesa."
(algo que nao existe nem nos EUA, por la atualmente grandes marcas como LG e Samsung sequer vendem televisores com o decoder ATSC 3.0 embutido).
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Rs!
Você poderia ter checado isso antes de passar vergonha com recibo aqui. Do próprio site americano que explica o sinal 3.0 lá:
- ADTH
- Hisense
- Panasonic
- Samsung
- Sony
- TCL
- Zinwell
Marcas com televisores prontos para receber o sinal 3.0 por já terem o decoder internamente.
LG só não está na lista por ter dado uma de espertona, e se - literalmente - estrepar: em 2023 ela perdeu uma ação judicial federal por violação de patente movida pela empresa Constellation Designs LLC, detentora de patentes específicas relacionadas à tecnologia de transmissão ATSC 3.0. Ela achou as taxas de royalties elevadas para continuar utilizando a tecnologia, e notificou oficialmente a FCC de que suspenderia a inclusão de sintonizadores 3.0 em suas linhas de televisores nos EUA
até que o cenário de patentes se tornasse mais razoável. Ou seja: ela apenas está esperando baratear o negócio que ela tentou copiar... sem pagar. Mas já tá ligada que, eventualmente, vai ter que colocar "na caixa" se quiser continuar competindo com as outras.
O fato é um só: sinal pelo ar nunca vai acabar. No presente não é imprescindível, mas uma hora o sinal 2.5 vai ser desligado em prol de algo mais moderno. Estamos aqui discutindo 3.0, mas não sabemos se em 15 anos já estaremos num sinal 5.0 por exemplo.
Não adianta pensar o futuro com a mentalidade do que temos agora. Mas a atitude certa é sempre torcer pela evolução das coisas e não ser contra elas. Já está mais que provado que, para grandes eventos ao vivo, ninguém vence o sinal ao vivo via antena.