É assim que muitas emissoras conseguem manter a operação: o arrendamento de horários ajuda a financiar a estrutura e, em muitos casos, fortalece a viabilidade do canal principal.
Na prática, emissoras educativas raramente conseguem se sustentar apenas com sua finalidade institucional. Elas dependem de verbas públicas, apoios, parcerias ou outras fontes de receita. Se há interesse em ampliar a cobertura da TV Brasil em determinada região, uma alternativa é que universidades, fundações ou outras instituições habilitadas solicitem a retransmissão, como já aconteceu em diversas cidades. Até do Paraná, a Unioeste solicitou e em menos de 1 ano já está com sinal ativo na região oeste. Aliás a própria EBC já deu entrada e tá autorizada, ela quer primeiro ir pro interior.
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Fonte: Line-up
A RBI não tem sinal disponível?
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Fonte: Line-up
Também não vejo problema na existência de canais ou sub-canais religiosos dentro da multiprogramação. Trata-se, acima de tudo, de um modelo de negócio. Enquanto houver demanda e viabilidade econômica, esse espaço continuará existindo. A própria Anatel permite esse modelo dentro das regras vigentes, então dificilmente isso mudará apenas por causa das reclamações. A multiprogramação ainda está em fase de expansão, e o mercado deve amadurecer com o tempo. Há espaço para emissoras locais, canais independentes e até projetos originados na internet ocuparem esses subcanais, mas isso exige investimento, planejamento e, principalmente, sustentabilidade financeira, coisa que só igrejas hoje estão dispostas a investir.
Chega num grande banco, empresas grandes regionais os caras fecham as portas, para investimentos robustos, o que sobra? Igrejas!
Além disso, o problema não é necessariamente um canal ser religioso. Existem diversos canais não religiosos que passam o dia inteiro reprisando o mesmo catálogo de filmes e séries de qualidade duvidosa, muitas vezes licenciados pelos mesmos distribuidores. Basta trocar de canal para encontrar exatamente os mesmos conteúdos repetidos inúmeras vezes. Isso, por si só, também não agrega diversidade nem qualidade à televisão aberta.
Ou seja, se a ideia for apenas criar novos canais com uma grade praticamente idêntica à de outras emissoras, baseada nas mesmas séries e filmes exibidos há décadas, pouco muda para o telespectador. Não faz diferença aumentar a quantidade de canais se o conteúdo continua sendo praticamente o mesmo. A multiprogramação tem potencial para ampliar a diversidade da TV aberta, mas isso só acontece quando surgem propostas realmente diferentes, e não apenas mais do mesmo.
Particularmente, não assisto a canais religiosos, mas também não vejo motivo para ser contra sua existência. Se esse segmento gera receita suficiente para manter uma emissora funcionando, é natural que muitas empresas optem por esse caminho. Se outro tipo de conteúdo fosse mais rentável, provavelmente seria ele o escolhido. No fim das contas, essa decisão é muito mais econômica do que ideológica.
Com a possibilidade de arrendar subcanais, talvez muitas emissoras consigam concentrar esse tipo de programação neles e utilizar o canal principal para investir em conteúdos próprios, jornalismo, entretenimento ou produções regionais. Isso pode até representar um equilíbrio interessante entre sustentabilidade financeira e diversidade de programação.
A multiprogramação ainda está dando seus primeiros passos. Vale a pena acompanhar sua evolução antes de concluir que ela será positiva ou negativa. Inclusive, confesso que a ideia é interessante: se surgir uma boa oportunidade, até eu cogitaria arrendar um subcanal.