Pelo jeito, as redes que implantarão a nova tecnologia inicialmente (que não é obrigatória) são Globo, Record e SBT. Segue matéria do Tela Viva sobre a DTV 3.0:
Nova tecnologia permitirá publicidade segmentada e experiências interativas, mas impõe desafios na capacitação de profissionais e na unificação de estratégias entre as emissoras #telaviva #telavivanews
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Executivos das maiores redes de televisão do Brasil debateram o futuro do setor diante da implementação da TV 3.0. O novo padrão tecnológico, que sucederá a TV digital, promete integrar a transmissão linear com a internet, permitindo maior interatividade, personalização de conteúdo e novos modelos de negócio publicitário. A discussão ocorreu durante um painel no SET Expo 2025, mediado por Roberto Franco, que destacou a resiliência e a dominância da televisão aberta no país.
Atualmente, a televisão linear alcança mais de 190 milhões de pessoas no Brasil, com 94% dos domicílios possuindo ao menos um aparelho de TV. O tempo médio de consumo diário é de 5 horas e 32 minutos por domicílio, superando o uso somado de outros dispositivos como computadores, tablets e smartphones. "A televisão ainda é o meio dominante, é o meio que toma as casas e que faz a pauta comum do dia a dia do brasileiro", afirmou Franco.
O modelo de operação em rede, que combina uma programação nacional com forte conteúdo local, foi apontado como um pilar dessa força. Leonora Bardini, diretora dos canais TV Globo, explicou que o sucesso se baseia em duas camadas: a "sincronicidade", que une o país em grandes eventos, e o "pertencimento", gerado pela programação local. A TV Globo possui 123 emissoras, sendo a maioria afiliada, que produzem cerca de 4 horas de conteúdo local diário.
Daniel Abravanel, diretor de Rede e Relações Institucionais do SBT, que conta com 118 emissoras, ressaltou a importância de "falar a língua regional". Ele citou o projeto SBT Nordeste e a transmissão da Copa do Nordeste como exemplos de sucesso na regionalização. Na mesma linha, André Dias, superintendente da Record, mencionou o investimento da emissora em 10 campeonatos regionais de futebol, permitindo que as afiliadas negociassem e transmitissem os eventos em suas praças.
Com a chegada da TV 3.0, esse modelo consolidado enfrentará uma nova transformação. A principal oportunidade, segundo os executivos, está na publicidade. A nova tecnologia permitirá a oferta de anúncios segmentados, semelhantes aos do mercado digital, atraindo marcas que hoje não investem na TV aberta devido ao tamanho do investimento necessário. "A gente entrega um valor diferenciado que agora tem a possibilidade de não só de ser um para muitos, mas de entregar de um para um", disse Bardini.
No entanto, a transição impõe desafios significativos, principalmente na capacitação dos profissionais. "Se atualmente, a gente pensa a programação de um roteiro de execução, com a TV 3.0, a gente vai programar uma experiência", explicou a diretora da TV Globo. Segundo ela, será necessário desenvolver novas competências ligadas à análise de dados e à criação de experiências individuais, transformando programadores em "curadores de experiências".
Para enfrentar os desafios, as emissoras têm buscado atuar de forma conjunta. Abravanel destacou a colaboração entre Globo, SBT, Record e outras redes por meio de associações como a ABERT e a Abratel. Essa união é vista como fundamental para padronizar tecnologias e alinhar estratégias para a implantação do novo sistema em um país com 508 geradoras de televisão.
A implementação da TV 3.0 representa uma evolução para o modelo de televisão brasileiro. A capacidade de unir o alcance de massa com a personalização digital pode gerar novas fontes de receita e fortalecer a conexão com o público. O sucesso da transição, contudo, dependerá da habilidade das redes e de suas afiliadas em se adaptarem tecnologicamente e, principalmente, em requalificarem suas equipes para um novo modo de produzir e programar conteúdo.