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O problema do Relógio Argentino

Membro conhecido
Oct
602
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Esse é um problema resolvido com quase meio século de atraso.

Há quase cinquenta anos, fui desafiado a resolver um problema técnico aparentemente insolúvel.

Meu mano mais velho havia passado férias na Argentina, e entre outras lembranças, trouxe para o Brasil dois belíssimos relógios elétricos de parede.

Dois problemas deveriam ser resolvidos. O primeiro dizia respeito à tensão de rede. A energia distribuida aos lares da Argentina é de 220 volts, enquanto no Brasil, na época, a tensão das principais capitais era 110 V ou 127 volts.

Esse desafio era pequeno; bastava acoplar um pequeno transformador elevador de tensão de 110 ou 127 volts para 220 volts.

O segundo problema era cruel: a frequência de rede na Argentina é de 50 Hz, enquanto no Brasil era preponderantemente 60 Hz.

Ao ligar o relógio, esse adiantava 12 minutos a cada hora passada.
Meus conhecimentos técnicos na ocasião eram incipientes.

Tentei reduzir a tensão de trabalho nominal do motor elétrico relógio, a fim de que o mesmo reduzisse a velocidade angular pelo efeito de "escorregamento". A tentativa foi frustrada, pois o ajuste era muito crítico e o relógio mais parava que andava.

Certo dia, cinquenta anos depois me deparei com os limpadores de para-brisas de automóveis. Em geral, há três modos de operação: lento, rápido e... intermitente!

Para resolver o problema do relógio apressadinho, bastaria que o mesmo fizesse seis paradas estratégicas de 2 minutos a cada 10 minutos de marcha. Notar que a maioria dos motores elétricos não devem dar mais que seis partidas por hora, a fim de evitar sobreaquecimento dos enrolamentos.

Esta seria a melhor "solução de compromisso": o relógio nunca estaria mais adiantado que dois minutos a cada hora.

Que vergonha, não :oops: ?

Nem tanto. O último teorema de Fermat, elaborado em 1637 só foi provado em 1994 por Andrew Wiles, isto é: 357 anos depois...

Uma mania que sempre tive na minha vida profissional foi a de evitar que problemas, dúvidas ou perguntas ficassem sem uma resposta, por mais que a solução pudesse demorar.

Moral da História:
Nunca deixe que suas dúvidas caiam no esquecimento.
 
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